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Quem ensina um médico ou um veterinário a escrever uma receita?
Diagnosticar é ciência. Prescrever também é escrever. "As palavras são remédios quando sabem onde devem agir." Aos meus amigos médicos e médicos-veterinários. A convivência com vocês ensinou-me que, entre o diagnóstico e a cura, existe um gesto intelectual que raramente recebe o reconhecimento que merece: escrever uma boa prescrição. Este ensaio é uma homenagem a esse ofício silencioso. Por Glênio S Guedes (advogado) Há perguntas cuja simplicidade é apenas aparente. Esta é um
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há 2 dias5 min de leitura
Medicina não é Direito: o Enamed é muito mais do que a "OAB da Medicina"
O exame nacional representa um novo paradigma de regulação da medicina brasileira: protege a sociedade, avalia as escolas médicas e inaugura um debate que nenhuma prova conseguirá encerrar. "As profissões não são definidas apenas pelo que sabem, mas pelo que a sociedade lhes permite fazer." Por Glênio S Guedes (advogado) A inteligência humana sempre cultivou certa simpatia pelas analogias. Elas simplificam o novo, aproximam o desconhecido do familiar e oferecem ao espírito a
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há 5 dias7 min de leitura
Roma em turco: como palavras do direito otomano passaram a expressar conceitos jurídicos europeus
Subtítulo A surpreendente sobrevivência do léxico islâmico após a revolução jurídica de Atatürk. “Os códigos mudaram. As palavras ficaram.” Por Glênio S Guedes (advogado) Costuma-se dizer que a República da Turquia nasceu de uma ruptura. A afirmação, em linhas gerais, é verdadeira. O Estado fundado por Mustafa Kemal Atatürk ergueu-se sobre os escombros de um império multissecular, aboliu o sultanato, extinguiu o califado, adotou o alfabeto latino, reformou a educação, secular
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há 5 dias5 min de leitura
Ser de Direita ou de Esquerda Importa Menos do que Ser Incapaz de Dialogar com a Complexidade
Edgar Morin, Hannah Arendt e Leor Zmigrod diante da crise contemporânea do pensamento político “Talvez a verdadeira divisão do nosso tempo não esteja entre direita e esquerda. Talvez esteja entre aqueles que suportam a complexidade e aqueles que fogem dela.” Dedicatória Dedico este artigo à inteligência humana como forma de combate à rigidez cognitiva; aos homens e mulheres que conservam a coragem de duvidar das próprias certezas; e àqueles que, em tempos de trincheiras ideol
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18 de jun.6 min de leitura
O Direito diante do Oceano de Incertezas: Edgar Morin e a Crise das Certezas Jurídicas no Século XXI
Complexidade, hermenêutica e prudência numa época em que as respostas envelhecem mais rapidamente do que as perguntas “Toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas.”— Edgar Morin À memória de Edgar Morin (1921–2026), que ensinou gerações a pensar sem simplificar e a compreender sem reduzir. Por Glênio S Guedes (advogado) Introdução A morte de Edgar Morin encerra uma das mais longas e fecundas aventuras intelectuais do
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17 de jun.8 min de leitura
Ontologias Inversas – O Direito dos Direitos vs. O Direito dos Deveres: Um Estudo Comparativo entre o Corpus Iuris Civilis e o Código Tang
Por Glênio S Guedes (advogado) Preâmbulo Filológico-Jurídico: A Arquitetura das Almas Normativas Pretender abarcar, num mesmo lance d’olhos, o Corpus Iuris Civilis e o Código Tang não é mera acrobacia de erudição ociosa; é, antes de tudo, um exercício de anatomia espiritual das civilizações. De um lado, sob o céu do Mediterrâneo, pulsa o gênio romano, pragmático e cinzelador da individualidade; do outro, nas vastidões do Médio Império, sob o influxo dos ritos e da ordem cósmi
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15 de jun.8 min de leitura
A TRANSFORMAÇÃO DA TEORIA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL NA ERA DA COMUNICAÇÃO PÓS-TEXTUAL
Da palavra ao signo: hermenêutica, consenso e manifestação da vontade no século XXI “Durante séculos, o Direito procurou interpretar palavras. Talvez o desafio do século XXI seja interpretar signos.” “Os contratos não nasceram da escrita. Nasceram da confiança. A escrita foi apenas um dos seus idiomas.” “Primeiro vieram as palavras. Depois os documentos. Agora surgem os signos. O problema jurídico, contudo, continua o mesmo: compreender a vontade humana.” A todos aqueles que,
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13 de jun.5 min de leitura
Crise epistemológica da hermenêutica clássica diante da IA
“Talvez a inteligência artificial esteja produzindo um efeito filosófico inesperado: pela primeira vez, as máquinas estão obrigando os humanos a perceber que nunca compreenderam plenamente o que significa compreender.” “Curiosamente, as máquinas talvez estejam realizando algo que poucos filósofos conseguiram: obrigar os juristas a voltar a ler hermenêutica.” Por Glênio S Guedes (advogado) Durante séculos, o ser humano sustentou uma convicção relativamente confortável acerca d
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19 de mai.6 min de leitura
Interpretação e Neurociência no Direito Penal: uma arquitetura transdisciplinar de caráter cosmológico?
Reflexões em torno da obra de Marisol Palacio Cepeda e Carlos Parma Por Glênio S Guedes (advogado) Há livros jurídicos que desejam explicar institutos. Outros desejam reorganizar paradigmas. Alguns poucos, mais ambiciosos — e talvez mais perigosos —, parecem desejar reorganizar o próprio modo como compreendemos a realidade humana dentro do fenômeno jurídico. A obra Interpretación y Neurociencia en el Derecho Penal, de Marisol Palacio Cepeda e Carlos Parma, pertence claramente
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17 de mai.6 min de leitura
Elon Musk talvez nunca tenha enfrentado uma fila do INSS
Reflexões sobre IA, informalidade e proteção social na periferia do capitalismo “A proteção ao trabalhador, até então voluntária, feita por aqueles que se preocupavam com a dignidade humana, muitas vezes só existia sob a forma de caridade.” — CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de Direito Previdenciário. 29. ed. rev., atual. e reform. Rio de Janeiro: Forense, 2026, p. 7. Por Glênio S Guedes (advogado) Há certos homens cuja fortuna lhes permite con
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11 de mai.5 min de leitura
Hiperconectividade e hiperdesigualdade: por que Milton Santos ainda nos é atual e relevante?
Por Glênio S Guedes (advogado) Existe certa ironia — dessas que a história cultiva com paciência quase literária — no fato de que um dos maiores intérpretes do mundo contemporâneo tenha vindo de uma periferia geográfica e social que o próprio sistema insistia em tratar como margem. O século XXI, tão enamorado de seus cabos submarinos, satélites, algoritmos e plataformas digitais, talvez não tenha percebido ainda que muito do que hoje chama de “novidade disruptiva” já havia si
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10 de mai.5 min de leitura
O subsolo brasileiro é promissor; o problema começa na superfície
“As riquezas da terra são pacientes; os homens é que improvisam.” Por Glênio S Guedes (advogado) I — Das jazidas que esperam séculos e das instituições que mal suportam um mandato As terras raras possuem um defeito grave: exigem paciência. Não a paciência mineral, que atravessa eras geológicas sem reclamar do calendário, mas a paciência institucional — esta substância mais escassa que neodímio, mais volátil que disprósio e aparentemente ausente de boa parte da administração p
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8 de mai.4 min de leitura
Quando decidir já não é pensar: o Direito na era da pós-metacognição
“O cérebro se desenvolve quando é usado — e se empobrece quando delega.” Por Glênio S Guedes (advogado) Uma estranha economia do espírito começa a se insinuar nas práticas contemporâneas de decisão. Pensar, outrora atividade nobre e inevitável, passa a ser tratado como um custo a ser reduzido — quando não como um inconveniente a ser elegantemente contornado. Decidir, por sua vez, transforma-se em operação técnica, quase mecânica, conduzida por modelos, precedentes e, mais rec
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24 de abr.4 min de leitura
Se o homem é delirante, então o Direito não é expressão da razão pura —é um mecanismo de contenção da irracionalidade
Não aplicamos o Direito porque somos racionais; precisamos do Direito porque não somos. Por Glênio S Guedes (advogado) Não começa o Direito onde a razão triunfa, mas onde ela vacila. Eis a primeira desconfiança — e, talvez, a mais honesta — que se deve ter diante das colunas bem alinhadas da dogmática jurídica. Por detrás das fórmulas, das categorias, das sistematizações que nos tranquilizam, há um sujeito menos cartesiano do que supomos e mais instável do que gostaríamos de
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20 de abr.4 min de leitura
O Estatuto do Paciente é necessário — desde que o Direito não cure a doença e, no excesso, termine por matar a própria Medicina
Entre o estetoscópio e o Código: quem, afinal, conduz o tratamento? Por Glênio S Guedes (advogado) Não se trata de negar o mérito do Estatuto dos Direitos do Paciente. Ao contrário: sua promulgação representa um avanço civilizatório que o Brasil tardava em realizar. Em um país em que a assimetria de informação sempre foi a regra — e, no campo da saúde, muitas vezes uma regra cruel —, reconhecer juridicamente a autonomia do paciente, assegurar-lhe o consentimento informado e g
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19 de abr.4 min de leitura
A boia furada da IA generativa: ignorar a epistemologia é afundar o processo penal
“Quando já não se pergunta como se sabe, qualquer coisa pode parecer verdade.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Em determinados momentos históricos, o Direito não sucumbe a crises — sucumbe a facilidades. E poucas facilidades são tão sedutoras quanto aquelas que prometem respostas imediatas para problemas que sempre exigiram método, tempo e prudência. A inteligência artificial generativa, com sua desenvoltura sintática e sua impressionante capacidade de produzir enunciados co
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17 de abr.7 min de leitura
Entre teleologia e teleonomia: o destino contemporâneo do Isso à luz da neurociência
Uma releitura neurofilosófica da teoria psicossomática de Groddeck Por Glênio S Guedes (advogado) 1. Introdução: quando o corpo parece ter intenções Georg Groddeck formulou uma ideia desconcertante: o homem não vive — ele é vivido. Com isso, ele queria dizer que há algo em nós — que ele chama de “Isso” (Es) — que dirige tanto nossa vida psíquica quanto nosso corpo. Mas o ponto mais provocador é outro: para Groddeck, a doença não é apenas um defeito do organismo. Ela pode ter
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15 de abr.4 min de leitura
Se Escobar tivesse sido jurista, talvez dissesse:“Tragam-me precedentes estrangeiros — que deles farei um zoológico hermenêutico.”
O direito não é um animal exótico que se transporta; é uma forma de vida que se cultiva. Por Glênio S Guedes (advogado) Há ideias que chegam com ares de sofisticação, embaladas em linguagem estrangeira, carregando consigo o prestígio de sistemas que, à distância, parecem mais racionais, mais eficientes, mais civilizados. E, no entanto, ao atravessarem a fronteira, sofrem destino semelhante ao de certos animais trazidos por capricho: não encontram o ambiente que lhes deu senti
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14 de abr.6 min de leitura
SP Innovation Week 2026: a integração como espetáculo, a fragmentação como método
A transdisciplinaridade exige síntese; o nosso tempo contenta-se com justaposições. O mundo tornou-se interligado antes de se tornar inteligível. A soma dos saberes não produz unidade; apenas acumulação. Onde tudo se conecta tecnicamente, nada necessariamente se compreende. A fragmentação não é um acidente do pensamento contemporâneo — é sua forma. Por Glênio S Guedes (advogado) Não se trata, aqui, de uma crítica ligeira a um evento de inovação, mas de uma leitura — mais prop
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12 de abr.6 min de leitura
Res communis, res nullius e a Lua: notas para um Direito além da Terra
Nem tudo que não é de alguém está livre de disputa. Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. Exórdio — quando o céu deixa de ser metáfora Não foi apenas uma cápsula que regressou ao oceano. Com o amerrissar da missão Artemis II, regressou também — ainda que de forma incômoda — uma pergunta que o Direito, por séculos, pôde adiar: o que fazemos quando a realidade ultrapassa o território? Durante longa tradição, o céu foi metáfora: transcendência, limite, contemplação. O Direito, pru
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11 de abr.5 min de leitura
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