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O Estatuto do Paciente é necessário — desde que o Direito não cure a doença e, no excesso, termine por matar a própria Medicina
Entre o estetoscópio e o Código: quem, afinal, conduz o tratamento? Por Glênio S Guedes (advogado) Não se trata de negar o mérito do Estatuto dos Direitos do Paciente. Ao contrário: sua promulgação representa um avanço civilizatório que o Brasil tardava em realizar. Em um país em que a assimetria de informação sempre foi a regra — e, no campo da saúde, muitas vezes uma regra cruel —, reconhecer juridicamente a autonomia do paciente, assegurar-lhe o consentimento informado e g
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há 8 horas4 min de leitura
A boia furada da IA generativa: ignorar a epistemologia é afundar o processo penal
“Quando já não se pergunta como se sabe, qualquer coisa pode parecer verdade.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Em determinados momentos históricos, o Direito não sucumbe a crises — sucumbe a facilidades. E poucas facilidades são tão sedutoras quanto aquelas que prometem respostas imediatas para problemas que sempre exigiram método, tempo e prudência. A inteligência artificial generativa, com sua desenvoltura sintática e sua impressionante capacidade de produzir enunciados co
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há 2 dias7 min de leitura
Entre teleologia e teleonomia: o destino contemporâneo do Isso à luz da neurociência
Uma releitura neurofilosófica da teoria psicossomática de Groddeck Por Glênio S Guedes (advogado) 1. Introdução: quando o corpo parece ter intenções Georg Groddeck formulou uma ideia desconcertante: o homem não vive — ele é vivido. Com isso, ele queria dizer que há algo em nós — que ele chama de “Isso” (Es) — que dirige tanto nossa vida psíquica quanto nosso corpo. Mas o ponto mais provocador é outro: para Groddeck, a doença não é apenas um defeito do organismo. Ela pode ter
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há 4 dias4 min de leitura
Se Escobar tivesse sido jurista, talvez dissesse:“Tragam-me precedentes estrangeiros — que deles farei um zoológico hermenêutico.”
O direito não é um animal exótico que se transporta; é uma forma de vida que se cultiva. Por Glênio S Guedes (advogado) Há ideias que chegam com ares de sofisticação, embaladas em linguagem estrangeira, carregando consigo o prestígio de sistemas que, à distância, parecem mais racionais, mais eficientes, mais civilizados. E, no entanto, ao atravessarem a fronteira, sofrem destino semelhante ao de certos animais trazidos por capricho: não encontram o ambiente que lhes deu senti
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há 6 dias6 min de leitura
SP Innovation Week 2026: a integração como espetáculo, a fragmentação como método
A transdisciplinaridade exige síntese; o nosso tempo contenta-se com justaposições. O mundo tornou-se interligado antes de se tornar inteligível. A soma dos saberes não produz unidade; apenas acumulação. Onde tudo se conecta tecnicamente, nada necessariamente se compreende. A fragmentação não é um acidente do pensamento contemporâneo — é sua forma. Por Glênio S Guedes (advogado) Não se trata, aqui, de uma crítica ligeira a um evento de inovação, mas de uma leitura — mais prop
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12 de abr.6 min de leitura
Res communis, res nullius e a Lua: notas para um Direito além da Terra
Nem tudo que não é de alguém está livre de disputa. Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. Exórdio — quando o céu deixa de ser metáfora Não foi apenas uma cápsula que regressou ao oceano. Com o amerrissar da missão Artemis II, regressou também — ainda que de forma incômoda — uma pergunta que o Direito, por séculos, pôde adiar: o que fazemos quando a realidade ultrapassa o território? Durante longa tradição, o céu foi metáfora: transcendência, limite, contemplação. O Direito, pru
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11 de abr.5 min de leitura
Em Beaune, o tempo é norma, a terra é texto, e o vinho é interpretação
Entre a pedra e a vinha, entre o silêncio das caves e o rumor dos mercados, há um saber que não se escreve — amadurece. Por Glênio S Guedes (advogado) I. Uma cidade que não se oferece — se revela Não há pressa em Beaune. E isso, por si só, já constitui uma forma de ensinamento. Outras cidades se mostram; Beaune, ao contrário, se deixa compreender lentamente, como se exigisse do visitante uma disposição que o mundo contemporâneo desaprendeu: a paciência interpretativa. Situada
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5 de abr.3 min de leitura
Nem terra, nem mar: o colapso das categorias clássicas da geopolítica
Entre terra e mar, entre profundidade e circulação,o poder contemporâneo não escolhe lados:ele atravessa. Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. A persistência de uma pergunta mal formulada Há perguntas que sobrevivem não por sua pertinência, mas por sua elegância. Entre elas, figura a velha indagação geopolítica: o que funda o poder — a terra ou o mar? A resposta, por séculos, pareceu oscilar entre duas certezas igualmente sedutoras. A primeira, de inclinação determinista, via
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5 de abr.4 min de leitura
Entre a negação e a dependência: o IFRS no inconsciente do Direito Tributário
“O direito não é um sistema fechado, mas uma experiência.”— Miguel Reale Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. Introdução: o paradoxo inaugural O Direito Tributário brasileiro afirma, com a segurança própria das construções normativas que aspiram à autonomia, que a contabilidade não o vincula. A Lei nº 12.973/2014, ao proclamar a neutralidade dos novos métodos e critérios contábeis, parece erigir uma muralha entre o mundo do balanço e o mundo da incidência. De um lado, a lingua
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4 de abr.5 min de leitura
Prende-se o sintoma, absolve-se a causa: a misoginia e o fetiche penal
“Quando o Direito Penal chega primeiro, é sinal de que todos os outros direitos falharam.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: a tentação punitiva Há, no espírito do nosso tempo, uma inclinação quase automática a converter problemas sociais complexos em tipos penais. Diante da dor legítima, da indignação moral e da urgência política, a resposta institucional parece seguir um roteiro previsível: nomeia-se o fenômeno, tipifica-se a conduta, agrava-se a pena — e, com
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2 de abr.4 min de leitura
Medicina Geriátrica e Direito do Idoso: a arquitetura da longevidade digna
“Não é o tempo que envelhece o homem — é a forma como a sociedade decide reconhecê-lo.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. O Brasil envelhecido: um fato, não uma hipótese O Brasil atravessa uma inflexão histórica silenciosa, porém decisiva: o envelhecimento deixou de ser projeção e tornou-se realidade estrutural. Hoje, mais de 15% da população possui mais de 60 anos, superando a proporção de jovens, e esse contingente cresce em ritmo acelerado, com tendência de atingir um te
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29 de mar.4 min de leitura
O ponto cego: a falha que sustenta todo o conhecimento
“O que não vemos é precisamente o que torna possível ver.” Por Glênio S Guedes (advogado) I. Abertura: a invisibilidade constitutiva Há, entre as conquistas mais celebradas do espírito humano, uma que se distingue não apenas por sua eficácia, mas por sua ambiguidade: a ciência moderna. Capaz de sondar os confins do cosmos, de decifrar a estrutura íntima da matéria e de modelar, com precisão crescente, os sistemas mais complexos, ela se apresenta, à primeira vista, como a form
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22 de mar.6 min de leitura
O Direito como guardião da exceção cósmica ou técnica de prolongamento civilizacional?
Entre a raridade da vida inteligente e a fragilidade das civilizações tecnológicas Glênio S Guedes ( advogado ) Perguntas há que atravessam milênios como se fossem feitas ontem, e respostas há que, quando começam a despontar, revelam menos um alívio do espírito do que um agravamento da responsabilidade humana. A indagação acerca da existência de vida fora da Terra pertence a esse raro conjunto de problemas cuja persistência não decorre da ignorância, mas da profundidade. Dura
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21 de mar.4 min de leitura
O jurista de 2026 não é mais o intérprete da lei —é o arquiteto de riscos em um mundo fragmentado
“Vivemos não a ausência de ordem, mas o excesso de ordens incompatíveis.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há convir em que, no momento atual, a experiência jurídica deixa de ser cumulativa e passa a ser transformativa. O ano de 2026 parece marcar precisamente esse limiar. Os dados do Global Disputes Forecast não apenas enumeram riscos: eles redesenham o próprio campo de atuação do jurista. Quando tecnologia, geopolítica e tributação surgem como vetores dominantes de litigi
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21 de mar.5 min de leitura
Não impedir é agir: a lição penal de um “zé-ninguém” russo
Quando a omissão equivale ao resultado Por Glênio S Guedes ( advogado ) O Direito Penal precisa abandonar, por um instante, o conforto das abstrações e mirar, sem pestanejar, o espelho da realidade. Não para julgá-la — pois isso já o faz diariamente —, mas para reconhecer-se nela. E, quem sabe, corar. O documentário que nos chega sob o título sugestivo de “Mr. Nobody Against Putin” não é apenas uma peça cinematográfica: é um caso concreto em estado bruto, uma espécie de labor
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17 de mar.4 min de leitura
O dia em que quatro médicos avaliaram uma faculdade de Direito
Um exercício de transdisciplinaridade institucional: o que os juristas poderiam aprender com os quatro gigantes da medicina “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”— Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) I — Uma visita improvável “É melhor uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia.”— Michel de Montaigne, Essais Imaginemos um pequeno experimento intelectual — desses que exigem menos laboratório do que imaginação dis
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14 de mar.4 min de leitura
Se Osler entrasse numa faculdade de medicina hoje, pediria um paciente ou um login?
“Study the patient, not the disease.”— William Osler Em homenagem ao médico polímata Marco Antônio Barrozo Madeira Por Glênio S Guedes ( advogado ) I — O retrato na parede e a senha do sistema “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”— Machado de Assis Há retratos que não envelhecem; apenas observam. Em muitas faculdades de medicina, pendurados em corredores discretos ou em salas de reunião de departamentos, figuram os semblantes austeros
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14 de mar.5 min de leitura
Juristas acreditam em conceitos como crianças acreditam em duendes
Warat e o senso comum teórico dos juristas no século XXI “Os conceitos jurídicos funcionam muitas vezes como mitos estabilizadores.”— Luis Alberto Warat Por Glênio Sabbad Guedes ( advogado ) 1. Uma ciência que raramente se interroga Há um traço curioso no universo jurídico. O Direito gosta de falar muito de si mesmo — de seus conceitos, de suas categorias, de suas classificações, de suas distinções — mas raramente se pergunta como pensa aquilo que pensa . O jurista costuma mo
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13 de mar.5 min de leitura
A Constituição contra o algoritmo: por que a Suíça decidiu salvar o dinheiro físico
“O direito não é uma criação artificial do Estado, mas uma experiência histórica da sociedade.”— Paolo Grossi Por Glênio S Guedes ( advogado ) I — Um pequeno gesto constitucional que chamou a atenção do mundo A notícia correu discretamente pelas agências internacionais, como tantas outras votações helvéticas que, para os suíços, são quase rotina cívica. Em março de 2026, os eleitores da Confederação decidiram inscrever na Constituição federal a preservação do dinheiro em espé
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9 de mar.4 min de leitura
O Direito precisa da maiêutica socrática — mas da maiêutica bem traduzida
“O que não sei, também não penso saber.”— Sócrates, Apologia Por Glênio S Guedes (advogado) 1. A arte esquecida de perguntar Vivemos numa época curiosa. Nunca se falou tanto e nunca se perguntou tão pouco. A abundância de respostas tornou-se, paradoxalmente, um dos sintomas mais claros da pobreza das perguntas. Opiniões circulam com uma rapidez admirável — e uma profundidade igualmente admirável, embora em sentido inverso. O fenômeno não poupa o Direito. Nos tribunais, nas sa
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8 de mar.4 min de leitura
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