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Memórias póstumas de um processo formal (com notícias de sua reencarnação transversal)
Reconfigurando o Direito na Era da Complexidade Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: Da Especialização à Transversalidade O Direito contemporâneo enfrenta um paradoxo: quanto mais se especializa em ramos estanques (penal, civil, trabalhista), menos consegue responder a conflitos que transcendem essas categorias. A teoria do processo transversal , inicialmente proposta por Cláudio Iannotti da Rocha (2024) no âmbito trabalhista, emerge como um paradigma capaz de supe
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há 1 dia3 min de leitura
Bachelard e a Epistemologia Jurídica: por que ainda precisamos da ruptura
“Bachelard é o pai da dialética do não : o conhecimento, sobretudo o de caráter científico, se constitui e se desenvolve contra as verdades estabelecidas, negando-as ou limitando-as. É, pois, um conhecimento aproximado, e não absoluto.”(Agostinho Ramalho Marques Neto, A ciência do direito: conceito, objeto, método , 2ª ed., Renovar, fls.27) Por Glênio S Guedes ( advogado ) I. O problema: o que significa pensar cientificamente o direito? A questão não é nova, mas tampouco es
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há 2 dias4 min de leitura
Algoritmos como novos “acrobatas da interpretação”: a inquietante atualidade de Bernd Rüthers
O direito degenerado prova algo simples: não existem algoritmos jurídicos neutros. Por Glênio S Guedes (advogado) Há expressões que, pela precisão imagética, sobrevivem ao tempo. Quando Bernd Rüthers falou dos juristas como “acrobatas da interpretação” , não pretendia fazer literatura; pretendia advertir. A metáfora, porém, ultrapassou o seu contexto histórico e alcança, com insuspeita atualidade, o nosso tempo de decisões automatizadas e algoritmos jurídicos. Não se trata d
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há 3 dias4 min de leitura
NEOMONARQUISMO OU INTERESSE NACIONAL? O QUE EXPLICARIA TARIFAS POR IRRITAÇÃO PESSOAL?
Análise do paper "Further Back to the Future" confirma: política externa americana serve para "extrair recursos" para Trump e sua camarilha "Ela simplesmente me irritou… Por isso impus tarifa de 39%" — Donald Trump, explicando punição tarifária à Suíça (Davos, janeiro/2026) "A política externa dos EUA tornou-se ferramenta para canalizar dinheiro e status para Trump e seus associados mais próximos" — Stacie Goddard & Abraham Newman, "Further Back to the Future" (2025) Por Glê
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1 de fev.10 min de leitura
Common law não é só um sistema jurídico em que a principal fonte é a jurisprudência:
é também um modo de escrever, um modo de justificar e um modo de extrair normas de fatos Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. O conforto ilusório do jurista latino-americano No Brasil e na América Latina, a common law costuma ser apresentada de maneira excessivamente confortável: um sistema jurídico no qual, diferentemente do civil law , a principal fonte do direito seria a jurisprudência. O código cederia lugar ao precedente; o legislador, ao juiz. A explicação encerra o tem
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28 de jan.6 min de leitura
O problema das Ciências Humanas é que fazem perguntas
“Educar não é preencher um recipiente, mas acender um fogo.” — Plutarco Por Glênio S Guedes ( advogado ) Costuma-se afirmar, com a tranquilidade própria das verdades mal examinadas, que as Ciências Humanas atravessam uma crise. A sentença aparece adornada de números, gráficos e termos respeitáveis — eficiência , retorno , empregabilidade . Tudo muito sério. Tudo muito insuficiente. Ocorre que tais diagnósticos descrevem sintomas, mas evitam a causa. As Ciências Humanas não pa
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25 de jan.3 min de leitura
Como Um Deficiente Físico Ensinou o Mundo a Ser Invencível
"Não são as coisas que nos perturbam, mas a opinião que temos delas." – Epicteto Por Glênio S Guedes ( advogado ) O Homem Que Transformou Correntes em Chaves Nascido escravo por volta de 55 d.C. na Frígia (atual Turquia), Epicteto carregava duas marcas que a sociedade romana considerava sinônimos de fraqueza: era propriedade de outro homem e tinha uma deficiência física que o fazia mancar. Seu próprio nome, "Epiktetos", significa literalmente "adquirido" - ele nem sequer
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15 de jan.4 min de leitura
Quando a eticidade se rompe, a moral se absolutiza: lições atuais da Filosofia do Direito de Hegel
Por que Hegel permanece desconfortavelmente atual Quando as instituições silenciam, a moral começa a gritar. Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há autores que envelhecem porque pertencem a um mundo que já não existe. Outros, mais raros, tornam-se incômodos justamente porque continuam explicando aquilo que preferiríamos não compreender. Georg Wilhelm Friedrich Hegel pertence claramente à segunda categoria. Sua Filosofia do Direito não é um monumento do século XIX, mas um espel
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4 de jan.3 min de leitura
Soberano é quem decide — mas quem responde?
Exceção, soberania e responsabilidade jurídica Por Glênio S Guedes ( advogado ) A conhecida fórmula de Carl Schmitt — soberano é quem decide sobre o estado de exceção — permanece uma das descrições mais incisivas do poder político moderno. Ela não foi concebida como apologia do arbítrio, mas como diagnóstico realista: diante de uma ameaça extrema, a norma não basta; alguém decide. O problema começa quando essa constatação deixa de ser descritiva e passa a operar como justifi
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4 de jan.3 min de leitura
Roma não era pandectística: a revolução silenciosa de Okko Behrends
Römisches Recht ist keine Technik, sondern eine geschichtliche Form des Rechtsdenkens - Franz Wieacker Por Glênio S Guedes ( advogado ) Introdução A falsa evidência pandectística e a perda do sentido do direito romano A leitura pandectística do Direito Romano consolidou, ao longo dos séculos XIX e XX, uma imagem que se tornou quase autoevidente: a de um direito essencialmente técnico, estruturado como sistema lógico de categorias privadas, relativamente indiferente às formas
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4 de jan.5 min de leitura
"ATENÇÃO! CASO JULGUE NECESSÁRIO REALIZAR EXAME FÍSICO, VERBALIZE! O PACIENTE SIMULADO NÃO DEVERÁ SER TOCADO DURANTE ATENDIMENTO."
O que diriam Hipócrates e Galeno a respeito desse trecho do Revalida 2023, 2024 e 2025? "A vida é breve, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência é enganosa, o julgamento é difícil." — Hipócrates, Aforismos. Por Glênio S Guedes (advogado) Não sou médico. Mas tenho amigos médicos, de alto coturno e densa voltagem científica, com os quais debato temas da área. Por isso, atrevo-me a entrar em assuntos que não são minha especialidade técnica, analisando-os sob
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2 de jan.6 min de leitura
O "Oráculo de Vassouras": Como Eufrásia Teixeira Leite Inventou o Value Investing Antes de Wall Street
"Enquanto os homens discutiam política nos cafés do Rio de Janeiro, uma mulher em Paris decidia o destino de ferrovias na China e minas no Canadá." Por Glenio S Guedes ( advogado ) Introdução: A Vanguarda Silenciosa A história das finanças globais costuma ser narrada como uma sucessão de homens notáveis, de J.P. Morgan a Warren Buffett. No entanto, décadas antes de Benjamin Graham sistematizar o "investimento em valor" ( value investing ) nas salas de aula de Columbia, uma mu
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1 de jan.6 min de leitura
Terras raras e minerais críticos: temos hardware e software jurídicos avançados no Brasil?
Por Glênio S Guedes ( advogado ) Introdução — a pergunta certa antes da política certa A recente corrida global pelas chamadas terras raras — grupo de minerais estratégicos indispensáveis à transição energética, à indústria de alta tecnologia e aos sistemas de defesa — recolocou o Brasil no centro de uma discussão que lhe é, paradoxalmente, antiga e sempre adiada: somos capazes, juridicamente, de transformar abundância geológica em poder econômico, tecnológico e geopolítico?
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26 de dez. de 20255 min de leitura
Quando Roma não suportou o Direito de uma mulher: Cleópatra e o escândalo da soberania egípcia
Cleópatra não seduziu Roma — ela a constrangeu juridicamente Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: além do mito e da propaganda Poucas figuras da Antiguidade foram tão intensamente capturadas pela propaganda dos vencedores quanto Cleópatra VII . A tradição historiográfica de matriz romana — posteriormente amplificada por séculos de releituras literárias — cristalizou sua imagem como a da rainha sedutora, exótica e moralmente dissoluta, responsável pela queda de home
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21 de dez. de 20255 min de leitura
Ex facto oritur ius — mas o algoritmo sabe disso?
“Roma não programava decisões; cultivava a prudência.” “Antes do código binário, havia o ius .” “A lei pode ser computada; a juridicidade, apenas vivida.” “Roma não conheceu algoritmos — mas conheceu o Direito.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: o retorno de um brocardo incômodo A história do Direito costuma ser narrada como a história progressiva da lei: da dispersão à codificação, da casuística à sistematização, da prudência à norma geral e abstrata. Essa narr
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21 de dez. de 20255 min de leitura
O Crepúsculo dos Deuses de Jaleco
Por que a Medicina Precisa de Menos Algoritmo e Mais Argumentação Por: Glenio S Guedes ( advogado ) "Na ciência, trocamos a arrogância da 'Verdade Absoluta' pela humildade da 'Verossimilhança' — a busca constante por estar cada vez menos errado, sabendo que a certeza total é impossível." I. Introdução: A Crise da Justificação Vivemos um paradoxo no campo da saúde. Nunca tivemos tanto acesso a dados científicos e, simultaneamente, jamais estivemos tão perdidos na neblina da d
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20 de dez. de 20255 min de leitura
O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota: Uma Análise Dialética de Conhecimento, Cultura e Estudo
Por Glênio S. Guedes ( advogado ) Introdução: O Pharmakon Filosófico Ler Olavo de Carvalho exige do estudante sério a habilidade de separar o pharmakon grego: o que ali é remédio e o que é veneno. Ignorar a obra por preconceito é perder insights pedagógicos valiosos; aceitá-la como evangelho é arriscar-se ao isolamento sectário. Analisando as seções Conhecimento , Cultura e Estudo de sua obra homônima, propomos um inventário crítico: o que deve ir para a cabeceira do jur
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20 de dez. de 20254 min de leitura
Entre cérebro e vida
Por que a neurociência não pode silenciar a mente viva Por Glênio S Guedes ( advogado ) O cérebro não pensa sozinho; é a vida que pensa nele. 1. Introdução – O risco contemporâneo do neurocentrismo A neurociência consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos campos mais influentes do saber contemporâneo. Técnicas de neuroimagem, modelos experimentais sofisticados, avanços em neurofarmacologia e correlações cada vez mais refinadas entre atividade neural e comportamento ampli
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19 de dez. de 20255 min de leitura
Quine, um despertador epistemológico para o Direito?
Por Glênio S Guedes ( advogado ) “Quine não nos diz como decidir, mas nos impede de acreditar que decidimos sem interpretar.” 1. Introdução: por que Quine incomoda o jurista? O Direito moderno ainda opera, em larga medida, sob uma ilusão tranquilizadora : a de que normas possuem significados estáveis, fatos são dados objetivos e a decisão jurídica resulta da aplicação técnica de um texto previamente dotado de sentido. Essa ilusão se manifesta no apego ao chamado “sentido lite
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19 de dez. de 20254 min de leitura
O mais inquietante não é que ainda não pensemos,mas que não saibamos mais o que significa pensar
Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Um título como chave epocal A conhecida advertência de Heidegger — “o mais inquietante não é que ainda não pensemos, mas que não saibamos mais o que significa pensar” — não deve ser lida como um lamento cultural nem como crítica moral à superficialidade contemporânea. Trata-se de um diagnóstico ontológico , voltado à estrutura profunda de uma época. O recente artigo do Prof. Lenio Luiz Streck , A inteligência artificial e o advogado obsole
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19 de dez. de 20253 min de leitura
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